Nota

LEOPOLD SACHER-MASOCH

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TY SEGALL & WHITE FENCE

O projecto a solo, San Francisco’s Ty Segall e o White Fence ( Tim Presley) uniram os seus talentos de evisceração garage-punk e capturam um labirinto de rock lo-fi sobre as oito faixas do novo album Hair.

Ty Segall é um punk psych-rock da Bay Area. White Fence é o projecto paralelo psych-heavy de Darker My Love Tim Presley. Quando eles anunciaram no início de Fevereiro que estaria trabalhando em colaboração para um álbum,  instantaneamente se tornaram na sua versão da cena- Kanye West e Jay-Z, The Throne (Watch the Bean Bag Chair, anyone?).

Mas ao contrário de registo um pouco decepcionante do empresário rap, Hair, é um exemplo verdadeiramente útil de trabalho em equipe, e um importante, embora discreto marco nas suas carreiras.

Talvez o que levou os dois homens juntos é a sua capacidade de compartilhar e  unir géneros (blues, punk, garage, etc) com uma hábil habilidade  e abandono imprudente.

Nos seus projectos a solo, os albums de 2011, Goodbye Bread (Segall) e Is Growing Faith ( Tim Presley) foram ambos aclamados pela crítica, mas a sua colaboração em Hair, resultou numa ondulante e explosiva libertação, com amarrações pesados de  riffs psicadélicos e percussão implacável movem-se rapidamente através de cada nuvem electrizante de noise.

Essential Tracks: “Crybaby”, “Easy Rider”, “Time”, and “Tongues”

GUIDED BY VOICES

Guided by Voices não param. Bem, eles fizeram, uma breve paragem entre 2005 a 2010 – mas os GBV reunificados estão produzindo álbuns mais uma vez. O álbum é o (!) XVIII . Curiosamente intitulado ‘Class Clown Spots a UFO, uma viagem surreal de 21 músicas

Isso não é novidade para Robert Pollard. Membro central da banda foi escrevendo montes de canções desde 1983  desde a sua cidade natal, Dayton, Ohio. GBV já passou por tudo: colocar e auto-financiar as sua “basement tapes” nos anos 80 e uma ascensão para a fama nos anos 90 com menções em revistas Rolling Stone e Spin, mas nunca hit  na rádio. (Rádio, que ao parece, não se importa com excentricidade.) E, finalmente, houve um rompimento e um reencontro na década de 2000,  que os traz aos dias de hoje.

“Class Clown” não é muito diferente do que outros  registos dos GBV ,  mas certamente não está ao nível do clássico de 1994  “Bee Thousand”,

O FIM DOS WEEN

Os Ween colocaram um ponto final numa carreira que já levava 25 anos.

 À Rolling Stone, Aaron Freeman (ou Gene Ween), explicou que é «tempo de avançar». O músico explicou também que o fim da banda foi pacífico. Enquanto a Rolling Stone estipula que Freeman e Melchiondo ainda são amigos e que a divisão foi harmoniosa, Melchiondo parecia tomado surpreendido com a notícia.”Isso é novidade para mim”, escreveu no Facebook, ” é tudo que posso dizer por agora”.

«Para mim, é um livro que se fecha. Na vida por vezes, no universo, é necessário fechar algumas portas para abrir outras», declarou. Quando perguntado se anuncia o fim da dupla de longa data, consistindo de Freeman e o amigo de  infância amigo Mickey Melchiondo, Freeman concordou. “Muito bonito, sim. E tem sido um longo tempo, 25 anos. Foi uma boa corrida.”  Não há, “Maldito que tal e tal!” Para mim, eu gostaria de pensar que é uma porta que pode fechar finalmente. ”

Os Ween formaram-se em 1984, Aaron Freeman (Gene Ween) e Mickey Melchiondo (Dean Ween) foram sempre as figuras centrais.Tal notícia vem como um choque completo para os fãs do grupo. Freeman lançou um álbum solo, Marvelous Clouds,  cover de músicas do recluso compositor dos anos 60, Rod McKuen,  apenas algumas semanas atrás, um álbum que sinalizou o seu retorno para a ribalta após um estágio do colapso em Vancouver o ano passado. Freeman foi internado depois de alguns desempenhos fora dos trilhos para desintoxicação logo depois.

Ween formados em 1984 em New Hope, Pennsylvania, depois do par se ter  encontrado no liceu. A banda lançou  no total 17 álbuns,  incluindo o seu último registo, discutível retorno ao formulário  do 2007 La Cucaracha.

Ween lançaram 9 albums de estudio,  entre 1985 e 2007, bem como seis gravações ao vivo. A banda foi conhecida pela sua mistura eclética de sons, do rock ao pop ao heavy metal para o prog rock, punk, country, soul, electrónica, e mais além. Para os não-fãs, eles podem ser mais conhecidos como bunda (ahem) da piada em “Beavis and Butt-head”. Os personagens animados da  MTV zombaram no vídeo para o single de 1992 dos Ween, “Push th’ Little Daisies.”

Festival de Verão da Casa da Música, 2012

Até ao final de Julho, os vários espaços do edifício projectado por Rem Koolhaas, incluindo a sua praça exterior, receberão mais de meia centena de concertos, a maioria deles de entrada gratuita. Sem o apoio do Turismo de Portugal, que em 2011 tinha contribuído com 175 mil euros para esta programação estival, a Casa da Música teve de recorrer a uma dezena de fundadores, que aceitaram reforçar a sua contribuição anual, e ainda a um patrocínio especial da marca Super Bock, da cervejeira Unicer.

Contribuições que permitiram manter a diversidade de géneros musicais que costuma marcar esta programação, ainda que a contenção de custos tenha obrigado a reduzir a presença de grandes nomes da música pop ou do jazz.

A antecipar as festas sanjoaninas, o programa abre no dia 22, com uma noite de clubbing, que decorrerá em vários espaços do edifício, e prossegue no dia seguinte com o tradicional concerto de S. João, interpretado pela Orquestra Sinfónica do Porto.

Ainda em Junho, no dia 27, Vitorino apresenta o espectáculo Ergue-te ó Sol de Verão, uma homenagem a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, e o clubbing regressa na noite de 30, com actuações de vários DJ, entre os quais se destacam o músico Nicolas Jaar, um génio precoce da música electrónica, autor do projecto Darkside, e Matthew Herbert, a estrela de cartaz, cujo mais recente projecto, One Pig, conta, em sons, a história de um porco desde que nasce até chegar ao prato onde irá ser comido.

Na programação de Julho, os primeiros momentos fortes vêm do Brasil, com o cantor e compositor mineiro, Milton Nascimento (dia 2), que está a celebrar o 40.º aniversário de um dos álbuns míticos da música popular brasileira: Clube de Esquina, e o grupo de world reggae Ponto de Equilíbrio, que actuará no dia seguinte.

No dia 11, a Casa da Música recebe o projecto internacional Playing for Chance, criado pelo produtor Mark Johnson, que se dedica a descobrir talentos entre os músicos de rua.

A cantora norte-americana Dianne Reeves, vencedora de quatro Grammys e considerada uma das grandes herdeiras dessa linhagem de divas do jazz que remonta a Sarah Vaughn ou Ella Fitzgerald, actua no dia 11, na sala Suggia, integrada no The Mosaic Project, da compositora e baterista Terri Lyne Carrington.

Como é habitual, também o fado estará presente neste programa de Verão: António Zanbujo, que recentemente lançou o seu quinto álbum – laconicamente intitulado Quinto , dará a ouvir no dia 21 o seu fado atravessado por correntes várias, do cantar alentejano à morna. E no dia 26 será a vez de o grupo Fado Violado, um trio formado pela vocalista Ana Pinhal, pelo guitarrista Francisco Almeida e pelo contrabaixista David Baltazar, mostrar o que acontece quando se mistura a melancolia do fado com a exuberância do flamenco.

Dois dias antes, a 24, a Casa da Música recebe os californianos Groundation, uma banda de roots reggae fundada em 1998 e que inclui nove músicos.

O Verão na Casa, que este ano se chama Verão na Casa é Super Bock, fecha no dia 28 com um concerto do grupo de pop-rock Lissabon, formado por Pedro Lourenço, Inês Vicente, Soraia Simão e Garcês.

R.I.P. DOC WATSON

ImagemAo longo de décadas tocou música tradicional norte-americana, como o folk ou o country. Morre aos 89 anos, depois de ter sido, na semana passada, operado a um problema abdominal.

Morreu Arthel Lane Watson, mais conhecido por ‘Doc Watson’. O músico norte-americano notabilizou-se nos Estados Unidos pela sua performance com a guitarra nos braços. Ao longo de décadas, encantou milhares de pessoas com os seus temas folk e country, géneros musicais com grande impacto naquele país.

A morte de um dos cegos mais famosos dos Estados Unidos aconteceu na passada terça-feira. Antes uma semana, ‘Doc’ tinha sido operado a um problema abdominal. A confirmação do óbito chega agora pelo seu agente.

Aos 89 anos, Watson era ‘perito’ em mais que um instrumento. Porém, viria a ser a guitarra a sua grande paixão.Conhecido pela sua forma característica de tocar guitarra e por ter criado o Merlefest, um encontro anual de músicos em North Wilkesboro, Doc Watson foi ainda laureado com a Medalha Nacional das Artes, entregue pelo governo dos Estados Unidos.

Das suas músicas destacam-se sucessos como “Tom Dooley”, “Shady Grove” e “Rising Sun Blues”.

O seu primeiro álbum, ‘Treasures Untold’, é lançado em 1964, o seu último, ‘The Three Pickers’, em 2003. Pelo meio, Doc Watson venceu um total de oito Grammys, entre os quais um dos mais importantes, o Grammy Lifetime Achievement Award, género de prémio carreira, conquistado em 2004.

Doc Watson, que tinha 89 anos, ficou conhecido como o mestre do “flatpicker”, tendo influenciado várias gerações de guitarristas. O músico tinha uma forma muito característica de tocar guitarra acústica, a uma velocidade que poucos conseguiam.

“Doc foi um artista lendário que misturou as suas raízes musicais tradicionais Appalachian com o bluegrass, o country, o gospel e o blues para criar um estilo único e um amplo repertório”, escreveu em comunicado a sua editora, Folklore Productions, acrescentando que o músico “foi um cantor poderoso”.

O músico e guitarrista cego é um dos grandes nomes da folk, ao lado de Bob Dylan e Pete Seeger. Doc Watson venceu oito Grammys, incluindo um pela sua carreira que já somava mais de 40 anos. A última destas estatuetas que ganhou foi em 2006 na categoria de melhor performance country, com “Whiskey Before Breakfast

O MELHOR ALBUM DOS ULTIMOS 60 ANOS

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The Number Of The Beast’, disco dos Iron Maiden lançado em março 1982, é considerado o melhor álbum britânico dos últimos 60 anos. A votação decorreu na Internet e foi feita pela HMV, uma conhecida distribuidora do Reino Unido.

Na segunda posição surge ‘Violator’, dos Depeche Mode, lançado pela banda de Dave Gahan em 1990. Seguem-se os Beatles, que têm quatro álbuns no Top10. Terceira posição, com ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’, quarta, com ‘Abbey Road’, sexta, com ‘Revolver’, e décima, ‘White Album’.

Nomes como Pink Floyd, Queen, Oasis e Adele também figuram dos 10 melhores.
1.º – ‘The Number Of The Beast’ – Iron Maiden;
2-º – ‘Violator’ – Depeche Mode;
3.º – ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ – The Beatles;
4.º – ‘Abbey Road’ – The Beatles;
5.º – ‘The Dark Side Of The Moon’ – Pink Floyd;
6.º – ‘Revolver’ – The Beatles;
7.º – ‘A Night At The Opera’ – Queen;
8.º – ‘(What’s the Story) Morning Glory?’ – Oasis;
9.º – ‘21’ – Adele;
10.º – ‘White Album’ – The Beatles.

Optimus Primavera Sound 2012 Porto: A música é quem mais ordena

porto_parque_cidade_1A notícia caiu como uma bomba: devido a uma inflamação dos nódulos das cordas vocais, a islandesa Björk cancelou a presença no Optimus Primavera Sound, no Porto, onde actuava dia 9 de Junho!

Apesar de ser o nome maior do cartaz da edição de estreia na cidade Invicta de um festival que, em 12 edições, em Barcelona granjeou fama mundial, José Barreiro, da organizadora PicNic, desdramatiza: “Acho que as pessoas não procuram no Optimus Primavera Sound apenas ver o artista A, B ou C… São mais de 60 bandas, pelo que não é por um artista ou outro ter cancelado que afecta a filosofia do festival e a novidade em Portugal que é um festival de quatro palcos, em que três funcionam ao mesmo tempo. Penso que é isso que as pessoas procuram mais, tanto os portugueses como os estrangeiros, que nos vão visitar em força”.

Sem perder tempo, a organização colmatou a vaga deixada pela autora de «Biophilia», anunciando a presença no seu lugar dos Kings of Convenience, “com um espectáculo de cinco elementos, banda completa, um concerto diferente daquilo que se viu no ano passado em Paredes de Coura”.

Ciente de que tem algo de novo para oferecer, e antes de explicar em entrevista que novo festival é este, José Barreiro deixa um convite aos amantes da música: “O Primavera Sound é um festival que pode não ter as bandas mais conhecidas, mas depois de se viver e experienciar, por ser um festival de descoberta, as pessoas vão querer voltar no ano seguinte. Termos na cidade do Porto um festival tão apelativo, que merece ficar por cá muitos anos, o que também depende do público, seria muito bom, por isso façam um esforço para estarem presentes”.

O Optimus Primavera Sound decorre de 7 a 10 de Junho, no Porto, com os concertos dos dias 7 a 9 a acontecerem no Parque da Cidade, enquanto o fecho do festival (dia 10) se repartir pela Casa da Música e pelo HardClub. O PT JORNAL fará, mais próximo da data de arranque, a apresentação palco a palco e de todo o cartaz do festival. Para já fica a conversa com o responsável pela organização, José Barreiro, que apresenta aqui a filosofia e conceito do mais novo festival de verão que Portugal acolherá este ano.

Sendo esta a primeira edição e uma tentativa de replicar algo que há em Barcelona, que espírito é este que o Optimus Primavera Sound pretende implementar na cidade do Porto?
Em relação ao replicar, a nossa ideia é um pouco diferente, ou seja, temos uma marca forte que se chama Primavera Sound, mas queremos que, ao longo dos anos, conforme as edições forem acontecendo, este festival tenha uma personalidade própria, que vai de encontro ao tipo de público que tivermos no Porto, isto é, se for ou não igual ao de Barcelona… Isto é uma experiência, pois está a começar. É bom começarmos com uma marca de um festival que, em 12 anos em Barcelona, ganhou prestígio mundial, onde os artistas gostam de tocar. É um festival de programação, o que é muito diferente dos outros que temos por aí, mas queremos que tenha uma personalidade própria. Por isso, queremos que o conceito seja o mesmo nas duas cidades, mas não forçosamente com os mesmos artistas e daqui a dois, três anos termos programações bastante diversificadas… Não sabemos… O objetivo não é fazer um festival gémeo, até porque o de Barcelona tem 150 bandas e aqui vamos começar com 60. É óbvio que queremos que cresça, mas vai depender muito da resposta do público e do tipo de público que tivermos…

E quais são as expectativas em termos de números e proveniências?
É um bocadinho as pequenas minorias de todo o Mundo unidas por um conceito musical… Temos bilhetes vendidos praticamente para todo o Mundo, claro que com maior incidência em Espanha e Inglaterra, mas temos gente de todos os continentes, desde a Austrália, Nova Zelândia, Chile, Brasil, Estados Unidos… No entanto, para primeira edição, num Parque da Cidade, que é um sítio fantástico e com o qual estamos muito satisfeitos, não queremos antes de o recinto ser testado mais do que 25 mil pessoas por dia.

E penso que se não tivermos esse número andaremos lá muito próximos… A expectativa de venda de bilhetes está muito elevada, há gente de todo o lado a comprar, mas vai depender da resposta do público português que comprará mais em cima da hora. E contamos que cerca de 50% das pessoas venham do estrangeiro…

Olhando para a programação veem-se poucas bandas portuguesas. Alguma razão especial?
Um dos palcos é programada pelo All Tomorrow’s Parties (ATP), um conceituado festival inglês, mas um dos critérios do Primavera Sound, relativamente à presença ou não de bandas portuguesas, é que não há quotas para bandas nacionais. Há qualidade musical e as bandas são escolhidas por isso e não por serem portuguesas, espanholas ou de outro país. Apesar de tudo, termos na primeira edição oito bandas portuguesas no cartaz é muito bom. O que posso garantir é que nunca haverá quotas para bandas portuguesas, estas serão escolhidas conforme a qualidade. Depois, acho que é uma oportunidade fantástica para as bandas portuguesas tocarem num festival deste género, pois vamos ter cerca de 200 jornalistas estrangeiros acreditados e vai ser uma montra muito interessante, pois teremos muito público estrangeiro. Apesar da qualidade musical ter crescido de forma extraordinária em Portugal, este ano não deu para mais…

É conhecido o ambiente no Porto em torno da música, trazer o Primavera Sound é mais uma aposta arriscada ou um desafio com fortes probabilidades de vingar, sendo que vivemos um clima de crise generalizado?
Em termos de cidade, não tenho dúvidas que o Porto merece um festival desta envergadura e que tem potencial para albergar um evento destes, e daí o Porto ter sido logo a nossa primeira escolha quando decidimos trazer o Primavera Sound para Portugal. Aliás, os nossos parceiros catalães comungaram da nossa opinião, pois há traços entre as duas cidades muito iguais e eles comparam muito o Porto à Barcelona pré-olímpica…

Agora, é claro que me preocupa a conjuntura económica, mas temos que dissociar o que é a conjuntura económica do que é o potencial da cidade. Se calhar, numa conjuntura mais favorável haveria mais facilidade de as pessoas irem ao festival, mas não quero fazer futurologia. No entanto, se houver uma ausência de público português, será largamente colmatada pelo público internacional.
Quais as mais-valias do Optimus Primavera Sound face aos outros festivais que já acontecem em Portugal?
É um festival que em termos de público andará perto do de Paredes de Coura, mas é um festival com uma marca que, por si só, atrai as pessoas. A um mês do festival termos garantida a presença de 10 mil estrangeiros é qualquer coisa nova em Portugal. Em termos de novidades, não há nenhum festival em Portugal que tenha quatro palcos com três alternativas constantes para ver bandas, e tudo palcos programados como se fossem palcos principais.

Por outro lado, temos o artista plástico João Paulo Feliciano a trabalhar connosco e que está a tratar da decoração do festival. As pessoas vão ser surpreendidas pela estética que vamos utilizar. É um festival de programação, há uma equipa que trabalha o ano inteiro, muitas vezes, indo buscar bandas que na altura não andam a tocar, sem esperar que os agentes digam quem está disponível. É um festival que não vive das bandas mainstream… É toda uma novidade, que quem conhece o festival de Barcelona já experienciou, mas para o público português vai ver que é uma coisa nova, fresca… E depois é um festival que marca tendências…

Que parceria é esta e como vem o Primavera Sound parar ao Porto?
O Primavera Sound é um festival que nós visitamos em Barcelona desde 2004, para ver as bandas emergentes e programarmos o Festival Paredes de Coura. Fruto desta atração que sentíamos pelo festival de Barcelona, foi surgindo uma amizade com os organizadores… Havia coisas muito semelhantes, principalmente o gosto pela música. Nós já tínhamos ido a Barcelona várias vezes e eles vindo a Paredes de Coura, sem que soubéssemos uns dos outros, e depois quando há festivais que se assemelham, quando há traços comuns é fácil as pessoas aproximarem-se e foi fácil chegar a uma amizade.

Quando surgiu a ideia de trazer o festival para Portugal, e já sabíamos que havia propostas de várias cidades para fazer uma edição do festival fora de Espanha, resolvemos tentar a nossa sorte… Só que era tentar uma sorte beneficiando da amizade que já tínhamos com os organizadores. Depois de mostrarmos o projecto, a cidade e o recinto, tudo foi facilitado, porque temos condições para realizar um festival de excelência. Portanto, foi o conciliar do gosto pelo Primavera Sound com a amizade entre organizadores. E foi muito bom sentirmos que, apesar de a nossa proposta não ter contrapartida financeira, eles aceitaram-na em detrimento de outras cidades que ofereciam dinheiro… É um orgulho imenso termos ganho contra cidades que ofereciam outros argumentos. Depois com o envolvimento da Câmara do Porto e da Optimus, que foi extraordinária a apoiar este projecto desde a primeira hora, ficou tudo mais facilitado.