CAETANO VELOSO

No fim da década de sessenta a música brasileira passava por um impasse. A força inovadora da bossa nova – a possibilidade de se fazer uma leitura sofisticada e universal do samba – já havia passado do auge. Os continuadores da bossa descambavam para a chamada “música de protesto”. Na vertente oposta, a versão local do “iê-iê-iê”, a jovem guarda, não primava pela criatividade.

“Transa” é o segundo LP do Caetano Veloso pós-tropicalista e o primeiro depois de seu exílio em Londres. Se o tropicalismo foi uma resposta pop aos tradicionalistas da MPB, “Transa” é uma espécie de reflexão em tons cinzentos sobre esse período. Na edição original era um disco-objeto: a capa se dobrava de maneira a formar um poliedro triangular. Foi produzido por Ralph Mace, o inglês que já havia produzido em Londres o seu álbum anterior (“Caetano Veloso”, de 1971).

“Transa” é um disco bilingüe. Não só pelo fato de ser cantado em inglês e português, mas por transitar em duas linguagens musicais: o rock e a MPB

Assim que conheceu Ralph Mace, o inglês que produziria os seus dois álbuns no exílio londrino (1969-1972), Caetano Veloso foi levado por ele a conhecer David Bowie.

Teclista em «The Man Who Sould the World» (1970), um dos maiores clássicos de Bowie e do glam rock, o produtor imaginava que os dois poderiam trabalhar juntos.

«Ele levou-me a um espectáculo de Bowie na Round House», lembra hoje Caetano. «Mas eu não gostei muito.»

Abortada a ideia de parceria com Bowie, Mace ocupou-se dos trabalhos individuais de Caetano e de Gilberto Gil.

Gil fez só um LP em inglês: «Gilberto Gil» (1971). Caetano fez dois: «Caetano Veloso» (1971), do hino de exílio «London, London», e “Transa”, nunca editado por lá. Só sairia no Brasil quando Caetano já estava de regresso, em 1972.

«Transa» completa 40 anos e ganha este mês novas edições em CD (remasterizado no estúdio da Abbey Road) e vinil com o projecto gráfico original de Álvaro Guimarães, baptizado de «Discobjeto».

Desde meados dos anos 1990, «Transa» ganhou o estatuto de «o melhor disco de Caetano» por parte da nova geração de músicos brasileiros. E também pelo público.

Este ano, foi lançado um abaixo-assinado na Internet: «Queremos ‘Transa’ do Caetano ao vivo». Mas o cantor não pretende remontar o espectáculo, já que não poderia ter a banda original no palco

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