ARNALDO BAPTISTA

Arnaldo Dias Baptista nasceu em São Paulo em 1948. Filho da pianista, compositora e concertista Clarisse Leite Dias Baptista e do poeta e jornalista César Dias Baptista, tornou-se um dos artistas brasileiros de culto de todos os tempos. O seu trabalho como ex-líder de Os Mutantes é considerado uma obra prima do rock’n’pop mundiais. Depois de deixar a banda em 1973, seguiu solo, criando obras igualmente memoráveis.

De 1967 a 1972, formou com o irmão, Sérgio Dias (guitarra), e a então namorada Rita Lee (vocalista) a banda que produziu um rock de tamanha qualidade que gente como o moderníssimo Beck, os integrantes da banda Belle &a Sebastian, David Byrne, Kurt Kobain, Sean Lennon, Radiohead, Stereolab, Tortoise, High Llamas, Wondermints, entre tantos outros. Arnaldo é incansavelmente mencionado por artistas brasileiros de renome como uma influência central nas suas carreiras – têm os tropicalistas brasileiros como suas influências. De volta com o grupo desde 2006, (com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee) ele – com perdão da heresia – desmente John Lennon e nos faz reviver o sonho.

Até onde pode ir um artista sofrendo de uma imensa dor, depressão e com graves problemas com as drogas?

Talvez o artista mais subestimado de toda a história pop brasileira. Músico brilhante, arranjador, letrista, inesgotável fonte de idéias, Arnaldo foi o grande líder dos Mutantes, a banda brasileira mais admirada no exterior, hoje vítima de culto.

Porém, poucos conhecem ou falam da carreira errática de Arnaldo Baptista. Talvez porque tenha enlouquecido verdadeiramente, graças às drogas e às suas idéias nem sempre compreendidas pelos outros (e até por ele mesmo). Mas Arnaldo, teve uma vida cheia de acidentes (e alguns quase fatais), compôs uma das mais belas obras inspirada na dor, nos delírios e nas imagens particularizadas de alguém como ele.Arnaldo passou quase cinco anos recuperando de um acidente, que sofreu em 1982. “Já tinha feito tanta coisa! Tocado em tantos lugares! Me senti-me ali perdido, internado num hospital, imaginando: ‘talvez ainda fique aqui dez anos!’

Loki? é mais do que um disco estranho e até assustador. Loki? o fim do relacionamento de Arnaldo com Rita Lee, como também um grito de liberdade após a separação de Os Mutantes. O final dos Mutantes marca um período extremamente doloroso para Arnaldo Baptista. O líder dos Mutantes rompia um casamento com Rita Lee, e mergulhava numa viagem de depressões, paranóia e incertezas. E Arnaldo era ainda muito jovem para poder lidar com tantas coisas.

Cantor e compositor nascido em São Paulo, Arnaldo Baptista o líder de Os Mutantes e com esta banda alcançou o seu maior sucesso, aliando o formato pop ou da música popular brasileira convencional às experimentações avant-garde, influenciados pelo maestro e parceiro Rogério Duprat.Com Os Mutantes esteve na no inicio do Tropicalismo, colaborando com outros artistas do movimento, em especial Tom Zé.

Após ter gravado o disco O A E O Z com os Mutantes, em 1973, e que só foi lançado quase 20 anos depois, Arnaldo vivia amargurado. O disco registava uma guinada ao rock progressivo e os Mutantes já eram um quarteto (além de Arnaldo, estavam o seu irmão Sérgio, o baixista Liminha e o baterista Dinho), mas já sem Rita Lee.

Os Mutantes dissolveram-se e Arnaldo iniciou uma irregular uma carreira a solo (seis discos) com Loki?. Arnaldo resolveu então chamar os seus velhos companheiros – o baixista Liminha, o baterista Dinho, a própria Rita Lee e o maestro Rogério Duprat. O que ninguém poderia imaginar era o resultado final…

Gravado no estúdio Eldorado, registado em 16 canais, e produzido pelo Roberto Menescal, Loki? marca, entre outras, coisas a ausência de guitarra (excepção feita à faixa final, “É Fácil”, com uma guitarra de 12 cordas, tocado pelo próprio Arnaldo), a exuberância do piano de Arnaldo e por letras extremamente pessoais e, em certos momentos, embaraçosas.

Entre seus LPs solo estão: Elo Perdido e Faremos uma Noitada Excelente , ambos de 1977-78 com a Patrulha do Espaço. Em 1981, gravou Singin ‘Alone, tocando todos os instrumentos.

Mantendo o ritmo com o soturno Singin’ Alone, gravando ainda um punhado de álbuns irregulares, que foram afetados pela deterioração da saúde, aparentemente causada pelos excessos no uso de drogas. Em 2004 voltou à cena com o surpreendente Let it Bed, produzido por John Ulhoa, dos Pato Fu. O álbum foi um dos mais aclamados pela crítica brasileira no biênio 2004-05. A revista inglesa Mojo colocou Let it Bed na sua lista dos dez mais de 2005.

Em 2006 participou na inesperada e anti-climática turné dos Os Mutantes.

Alguns dos seus CDs, como o Loki e Technicolor, são considerados raridades. Sérgio Dias, irmão de Arnaldo, conta que Arnaldo odiou o título do disco, então imposto pela gravadora, assim como a capa feita, totalmente longe do contexto sonhado por ele. O trabalho teve uma vendagem pífia, aumentando ainda mais a sua dor.

Em uma entrevista histórica concedida à jornalista Ana Maria Bahiana e publicada no jornal O Globo, no dia 28/04/1978, Arnaldo faz um grande desabafo. Confira alguns momentos:

Sobre música: “Rock eu gosto porque é meu sangue. É minha vida, desde que nasci.”

Sobre Rita Lee: “Quando eu ouvia a Rita, gostava. Não ouço nem vejo a Rita há muito tempo. Me faz muito mal. Más vibrações. Para baixo. Marta não deixa porque me faz mal. Os Mutantes do Sérgio eu operei som para eles, uma vez. O Sérgio vem tocar aqui com a gente no domingo, dar uma força.”

Sobre os Mutantes: “Era bom. Não, não tenho saudades. A agressividade, naquele tempo, era quase nula.”

Sobre os anos pós-Loki até o então atual momento, como Arnaldo & Patrulha do Espaço: “Passei quatro anos num ostracismo. Não tinha ninguém, mulher nenhuma. Ninguém me queria. Não tinha amor. Aí me internaram, porque parece que fiquei uma pessoa violenta. E eu não quero ser uma pessoa violenta. Diziam que eu era. Me internaram. Agora estou bem. Cortei as drogas. Tenho um psiquiatra. Tomo uns remédios. Estou bem. Logo que saí de ser internado eu comecei a fazer esse grupo, a Space Patrol. Ia chamar assim, mas por razões de… evolução… não… Chama Patrulha do Espaço. Estamos trabalhando há um ano. É um bom trabalho. Eu trabalho muito. Não sou violento. A bateria é. O piano não consegue, por causa da amplificação.”

Passado mais de 38 anos (foi lançado em 1974),mostra-se actual, apesar de alguns erros técnicos. Talvez Arnaldo quisesse mostrar nos erros técnicos os erros pessoais, ou talvez não tivesse mais cabeça em mexer em algo que lhe tinha sido tão caro. Sua vida seguiria num limbo, até o mal explicado acidente do hospital psiquiátrico, em 1981, quando se atirou do terceiro andar e ficou um tempo em coma. Para alguns, uma tentativa de suicídio. Para Arnaldo, apenas uma maneira de tentar fugir daquele horrível lugar.E pareceu um milagre, porque acordei na cama da minha menina”, conta Arnaldo no seu famoso documentário.

A “minha menina” é Lucinha Barbosa, com quem o artista vive há 30 anos. Lucinha é conhecida pela sua dedicação e amor incondicional a Arnaldo, incansável esforço e paixão na continuidade e preservação do seu trabalho.O acidente provocou um traumatismo craniano, deixando sequelas, mas não afetou a sua genialidade.

Durante aquele período de recuperação, intensificou seu trabalho como artista plástico.

Arnaldo continuou pintando e compondo em sua casa de campo em Juiz de Fora, Minas Gerais. Ao longo dos anos 90, participou de pequenas exposições e contribuiu com seu talento e sensibilidade para vários projetos, entre eles a compilação Give Peace a Chance (2001), um tributo à John Lennon.

Durante 2006-07, Arnaldo participou da reunião de Os Mutantes para uma série de shows iniciados em Londres, no grande evento dedicado à Tropicália promovido pelo centro cultural Barbican. Logo em seguida, partiu com a banda para a Europa, EUA e Brasil, tocando e cantando em shows para até 80 mil pessoas. Ao mesmo tempo, sua história preparava, por si só, uma nova reviravolta a partir de 2008.

Lóki? (Philips, 1974) é, até hoje, o disco mais visceralmente revolucionário da música brasileira.
Agora o CD LOKI? foi relançado pela Universal Music. O filme em DVD saiu e além do documentário, o DVD tem como bônus uma surpresa que agradou aos fãs.

Arnaldo revelado no documentário: Loki – Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle, entende-se por que o filme alcançou o prêmio de Júri Popular por onde é exibido. Ganhou no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e na 32º Mostra de Cinema de São Paulo.

O artista que é um ícone do rock’and’roll nacional, navega na sua inquietude criativa pelas ondas da música, artes plásticas(quadros, desenhos e camisolas), e mais uma vertente artística: a literatura.
Lançado em abril/2008, pela Ed. Rocco, o primeiro livro de Arnaldo Baptista: “Rebelde entre os Rebeldes”.

Revista ENCONTRO- O que gosta de ouvir?
BAPTISTA – O trio West, Bruce and Laing. O West era guitarrista da Janis Joplin, o Bruce, que foi do Cream, é o melhor contrabaixista do mundo. O Laing não tem passado, mas é ótimo. Gosto também de Jethro Thull, Diana Ross, Yes, Pato Fu e Lobão. Bob Dylan me inspira filosoficamente. Sabe que ele teve 17 casas?

ENCONTRO – Sua preferência por amplificadores valvulados é famosa. Por quê?
BAPTISTA – O som que escuto no palco vem do amplificador valvulado, é muito melhor do que o que chega ao público, que é transistorizado. Em casa, ligo meu som valvulado e penso como seria maravilhoso se milhares de pessoas pudessem ouvir aquilo!

Sua primeira grande exposição individual, Lentes Magnéticas, com mais de 100 obras ao longo de 30 anos, aconteceuu de 24 de março a 20 de abril 2010, na Galeria Emma Thomas em São Paulo e tem sido considerada uma das maiores coberturas de mídia para uma primeira individual deste porte. Galeristas e a sociedade da arte de São Paulo visitaram-na, e têm reiterado a sua importância e força artística.

A arte de Arnaldo Dias Baptista reflete a sua filosofia, poesia e a criatividade vanguardista conhecidas da carreira musical. “Assim como os artistas do movimento CoBra, Arnaldo trabalha de forma espontânea, experimental e com ênfase no imaginário fantástico. A expressividade através do uso de cores e texturas permeiam tanto o universo da psicadelia quanto da arte contemporânea”, comenta Juliana Freire, sócia-proprietária da Emma Thomas.

Arnaldo voltou aos palcos em outubro de 2011 para duas datas no Sesc Belenzinho-SP com seu ‘Arnaldo Dias Baptista Solo Voador’, tocando e cantando ao piano de cauda.

O video-cenário trazia projeções dos desenhos de Arnaldo, selecionados para a mostra na Emma Thomas. As imagens justapostas e em movimento lembravam uma mandala psicadélica. Este show fez parte da Virada Cultural de São Paulo 2012, com uma histórica apresentação no Teatro Municipal no dia 5 de maio de 2012.

Em 2011, Arnaldo tornou-se embaixador da ANDA, uma das mais sérias ONGs na defesa dos direitos dos animais no Brasil.

Ainda em 2012, Arnaldo Baptista lançará seu novo álbum, Esphera, já um dos mais esperados do ano, produzido por Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.

No final dos anos 70, Arnaldo teve o filho Daniel com a atriz Martha Mellinger, com quem viveu por dois anos. Daniel Mellinger Dias Baptista hoje ajuda a manter e preservar a obra do pai.

Em 2010, Arnaldo aderiu às redes sociais, com perfis no Facebook e Twitter, um canal oficial no YouTube e um blog como artista plástico. Teve, ainda, todos seus álbuns solos disponibilizados em formato stream no Soundcloud. Hoje, reúne mais de 20 mil fãs em torno destas mídias. No Facebook, 71% dos frequentadores estão na faixa dos 17 aos 34anos. Arnaldo é seguido, também, por artistas, formadores de opinião e hot desks da mídia de massa e blogs culturais.

Arnaldo Baptista, apresenta hoje, sábado (24) no Sesc Santos, litoral de São Paulo, vários clássicos como “A balada do louco”, “Não estou nem aí” e “Jesus come back to earth”. O músico canta e toca piano durante a apresentação, que terá músicas do novo álbum como “Esphera”, “I Don’t Care” e “Walking in the Sky”.

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