R.I.P. BUTCH MORRIS

Butch_MorrisButch Morris, o maestro da improvisação (1947-2013) morreu aos 65 anos.
O incessantemente inovador, compositor, considerado o criador do método de “improvisação dirigida” Lawrence D. “Butch” Morris, nascido em Long Beach, Califórnia, em 1947, o pioneiro do sistema ensemble interaction a que chamou de condução, morreu num hospital de Nova York ontem. Tinha cancro de pulmão, diagnosticado em agosto passado. Morris não era apenas um compositor, arranjador, maestro, ou condutor. Ou era tudo isso e muito mais. Num filme sobre Morris, Howard Mandel, especialista na vanguarda, diz que a música de Morris “não é jazz” Ou é.

Ele desenvolveu uma abordagem à música big band que chamou de condução “improvisação livre para ensemble e maestro”. Ele fez exigências sobre músicos, insistindo em intensa reação intuitiva de escuta e interação. O esforço envolveu o ajuste de métodos altamente personalizados que conduziu ao mesmo tempo, em compor e arranjar através de um sistema de pistas e movimentos da mão. Às vezes, combinado com partituras escritas, e o rigor exigido da técnica e concentração que nem todos os músicos e público estavam dispostos a fazer os seus esforços.

Em 1985, quando apresentou o seu método, encontrou muitas resistência. A sua persistência deu frutos. “Sentimos que estamos no início de uma nova e excitante linguagem musical”, escreveu a Gramophone.

Muitos que encontraram os resultados gratificantes o consideravam um génio.

Em Julho do ano passado esteve em Portugal, durante cinco dias com instrumentistas portugueses, dirigindo um masterclasse da Lisbon Jazz Summer School, no Centro Cultural de Belém, este músico que integrou o octeto de David Murray, em entrevista ao PÚBLICO, definiu o seu trabalho: “Eu faço música com seres humanos. Reunimo-nos e fazemos música no momento”.

Morris, um veterano da Guerra do Vietname primeiro ganhou reconhecimento entre os músicos como trompetista. O seu impacto mais importante, no entanto, veio como líder de banda de improvisação estruturada. Inventou um vocabulário de gestos, que significava ações para músicos seguir: repetir, sustentar, tocar mais alto, entre outros. Em pé na frente de um ensemble que só às vezes tinha escrito pontuações na frente dele, ele implantava aqueles gestos de acordo com a sua imaginação e intuição. Os seus músicos tinham a liberdade de interpretá-los como quisessem, dando ás performances um sabor distinto de imprevisibilidade e intimidade.

Apontando como referências Sun Ra, Lukas Foss, Charles Moffett ou a Two Improvisations for Orchestra, de Leonard Bernstein, dizia não se preocupar com aquilo que chamavam à sua música. Mas concedia que, “desde que seja um homem negro a tocar um trompete, serei um músico de jazz aos olhos das outras pessoas. Isso suficientemente bom para mim. Não há nada de mal em ser chamado músico de jazz”.

A revista Gramophone escreveu que “nada se compara à magnitude da visão pessoal que Morris tem da direcção. Sentimos realmente que estamos no início de uma nova e excitante linguagem musical”. Butch criou-a, mas já não verá o que dela frutificará no futuro.

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