POND

POND- 2015 albumPOND – Man It Feels Like Space Again, é o sexto álbum da banda australiana de rock psicadélico, lançado a 23 de janeiro de 2015, EMI.

Embora caóticos, se não anárquicos, a tentação tem sido muitas vezes para comparar Pond com os “green-out acid-freak noise-makers” dos anos 60 e final dos anos 70, em 2015, eles têm uma semelhança forte para as palhaçadas imprevisíveis e erráticas de Ariel Pink.

A minoria que encontra um golpe de auto-seriedade nos Tame Impala sempre precisaram das palhaçadas em Pond. Eles são mais óbvios, músicos, mais óbvios comediantes em tudo o que fazem é mais evidente,  nada mais do que diversão e divertimento é enfaticamente o ponto. “É tudo uma piada”, disse Nick Allbrook uma vez.

Mesmo no seu repetido desafio de nada ter a provar, Pond ainda lutam com a paixão e irreverência de underdogs.

Anúncios

RAIMUND HOGHE

Raimund HogheThank you for being here. And I love you.”

O ex-jornalista de 65 anos começou a trabalhar em dramaturgia com Pina Bausch, na década de 80, Raimund Hoghe (Wuppertal, 1949) tem todas as más memórias que podemos fazer decorrer das simples coordenadas do seu nascimento na Alemanha do pós-guerra (tipo: o sítio errado à hora errada), mais aquelas, intransmissíveis, que durante décadas, provavelmente até hoje, fizeram virar cabeças na sua direcção quando passava na rua e, depois, a partir de 1994, quando passou a atirar o corpo para a luta em cima do palco, em resposta à frase de Pier Paolo Pasolini da qual fez o seu slogan.

Deformada por um parto difícil e pela ausência de medicação adequada, a sua coluna não é uma coluna “normal” – e mais anormal será à medida que o tempo continuar a passar e o avanço do diagnóstico pré-natal permitir erradicar definitivamente a deficiência como a mais indesejável das anomalias (“Não sou contra o aborto, mas sou contra a selecção de pessoas, porque isso é fazer o que o Terceiro Reich fez. Escolher não é humano. Se a minha mãe tivesse ‘escolhido’, talvez eu não tivesse nascido”, disse-nos em 2007, (quando o vi)quando veio à Fundação de Serralves contar a história da sua luta num ciclo paralelo à exposição Anos 80: Uma Topologia).

An Evening with Judy trata sobretudo da história de amor entre Raimund Hoghe, que na sua autobiografia, quando teve de se definir (escritor, actor, performer, dramaturgo, coreógrafo?), escreveu “corcunda”, e a starchild tornada box office draw a quem Louis B. Mayer, o patrão da MGM, chamava “a minha corcundinha”. Continua até hoje, essa história, assegura Raimund, que encontramos num hotel do Porto horas depois de uma viagem de avião em que veio a ouvir duas gerações de raparigas malditas, a mãe Judy Garland e a filha Liza Minnelli, e ficou mais uma vez “de lágrimas nos olhos”. “Gosto muito da Judy desde a minha infância. Na peça mostro um disco dela que me acompanha religiosamente desde então. De resto, já em 1980 – Ein Stück von Pina Bausch, a minha primeira grande peça para a Pina Bausch [durante uma década, Hoghe foi dramaturgo da coreógrafa alemã no Tanztheater Wuppertal], o Over the rainbow aparecia duas vezes: numa primeira versão gravada quando a Judy Garland ainda era jovem, e numa outra gravada já no final da vida. Dei esses dois discos à Pina – e agora uso-os eu noutro contexto”, diz ao Ípsilon. A paixão que tem por Judy Garland, acrescenta, não é bem do mesmo género da que teve por outras cantoras americanas ou francesas: “Saber que o patrão lhe chamava ‘minha corcundinha’ é tão forte para mim… Não, ela não tinha nem a beleza nem o glamour das outras estrelas de Hollywood, e é impossível eu não me identificar com isso.”

Raimund Hoghe não ignora que a tragédia é fundadora na vida dos três. Feio, baixíssimo, Joseph Schmidt passou ao lado da fulgurante carreira na ópera que a sua voz prometia porque media menos de 1,52m (conta o site Music and the Holocaust: “Quando o maestro Leo Blech o ouviu cantar pela primeira vez, ficou profundamente comovido: ‘Pena não seres baixo’, disse-lhe. ‘Mas eu sou baixo’, respondeu Schmidt. ‘Não, tu não és baixo, tu és demasiado baixo’, retorquiu o maestro”).

Paradigma mais-que-perfeito da diva do século XX, Maria Callas morreu sozinha – como uma sem-abrigo, argumentava Hoghe em 36, Avenue Georges Mandel, a peça que se sentiu forçado a fazer depois de uma visita ao hall da casa onde a soprano morreu de ataque cardíaco –, cumprindo o destino da frase que dissera uns anos antes (“É terrível ser a Maria Callas”). E depois há Judy Garland, nascida Frances Ethel Gumm em 1922, no Minnesota, filha de pais que faziam vida do vaudeville e que a medicavam para a pôr a trabalhar, tal como às irmãs – a Judy Garland que parecia grande de mais para protagonista de O Feiticeiro de Oz, que foi recauchutada para funcionar como a girl next door (já que a mais do que isso não podia aspirar) nos musicais de Minnelli, que foi uma estrela difícil, absentista e suicida e mesmo assim teve uma segunda vida na televisão, com o The Judy Garland Show, e nas salas de concertos, antes de se matar de vez.

An Evening with Judy, o espectáculo que Hoghe faz caber inteiro no trolley com que entra e sai do palco de vestido preto, saltos altos, véu e óculos escuros (tal como 36, Avenue Georges Mandel cabia inteiro num cobertor da Cruz Vermelha), alimenta-se desses materiais biográficos (sobretudo de entrevistas, porque não está interessado “no que terceiros pensam acerca dela, apenas no que ela diz de si própria”), mas também de toda a fantasia inscrita nas canções dos discos guardados dentro dessa mala, uma fantasia que frequentemente a verdadeira vida de Judy contradiz. Mas se o espectáculo começa instalado nessa zona de apoteose e de aplauso que podia ter sido (mas não foi…) de conforto para Garland, como sublinha a intransponível distância entre as primeiras e as últimas versões de Over the rainbow, acaba colado ao luto por uma vida que não acabou como a actriz imaginava, na cozinha (porque as insónias tiveram isso de bom: fizeram-na aprender a cozinhar). Em certo sentido, porém, esta história tem uma continuação inesperada em Quartet (2014), que expande a reflexão de Hoghe acerca do preço do show-business, da ambivalência do estrelato e do que há por trás da lenda – uma continuação materializada no corpo do bailarino Takashi Ueno, que aparece na primeira peça “como convidado, como uma espécie de figuração da Liza Minnelli” em foco na segunda peça.

As estrelas dele, Raimund, não se gastam nunca, embora morram relativamente cedo e ainda assim não deixem cadáveres bonitos (mas enfim, afinal isto é o entretenimento, e não há negócio como ele). Mais do que na maioria das outras peças do coreógrafo, há cor e ligeireza em Quartet, como num musical: “Acredito na felicidade (há flores em quase todos os meus espectáculos…), mas também conheço o outro lado da vida. Em 1999 criei um espectáculo a partir de cartas de amor, Lettere Amorose. Uma das cartas em que me baseei era de dois jovens africanos que sonhavam vir para a Europa agarrados às asas de um avião. Passaram estes anos todos e continua a ser uma tragédia dos nossos dias.”

No fundo, também é por isso que Raimund Hoghe quis ser estas três pessoas – Schmidt, Callas, Garland – pelo menos uma vez na vida. “Com o Joseph Schmidt não foi difícil porque ele era baixo e descrito como feio pelos jornais nazis. Com elas é mais difícil, por isso me limito a usar saltos altos, um lenço e uma saia. Não o faço por travestismo. Faço-o porque não quero nem consigo explicar a um bailarino o que sinto por estas pessoas. É a Judy que canta no Nasceu uma Estrela, embora não esteja na minha peça: ‘I’ll go my way by myself’.”

Inês Nadais

—————————————————————————————————-

Raimund Hoghe celebra em 2015 um aniversário: o da sua carreira, que completa, precisamente, 20 anos (data celebrada com a apresentação de vários espetáculos por todo o mundo). Depois da construção do solo “An Evening with Judy“, Hoghe reúne agora quatro dos seus bailarinos favoritos: Ornella Balestra, Marion Ballester, Emmanuel Eggermont and Takashi Ueno. Juntos, celebram o aniversário de uma carreira sem igual, construindo uma viagem através dos seus corpos e identidades, dos movimentos e dos gestos particulares. De resto, as biografias e personalidades deste quarteto de bailarinos do Japão, França, Itália e Alemanha são o foco principal deste trabalho, ao mesmo tempo que se faz uma aproximação, através da música, a diferentes períodos e países – pelos quais Raimund Hoghe passou. A música envolve assim este espetáculo (como em todas as festas de aniversário, aliás!), onde os quartetos de cordas de Franz Schubert e Luigi Boccherini desempenham um papel especial, combinados com a canção italiana, as músicas japonesas e as canções dos musicais norte-americanos. Este “Quartet“ será assim uma viagem através de diferentes épocas e culturas, sobre as diferenças e semelhanças das pessoas, falando sobre a morte e celebração da vida.

An Evening with Judy e Quartet, duas peças do coreógrafo alemão 2-5-2015, Rivoli, Portugal

Raimund Hoghe was born in Wuppertal. He spent his early career as a writer for the German newspaper Die Zeit, and has published several books. From 1980 to 1990 he was dramaturg for the late choreographer Pina Bausch’s renowned Tanztheater Wuppertal. In 1990, he started making his own work, and in 1992 began a longstanding collaboration with the visual artist Luca Giacomo Schulte who continues to work closely with him.

Hoghe’s work has been presented across Europe, Japan, Australia, and the United States, and has been met with critical acclaim. He was awarded the Prix de la Critique in 2006, and in 2008, was named ‘Dancer of the Year’ by the magazine Tanz. He lives in Düsseldorf.

German choreographer Raimund Hoghe’s Pas de Deux with Japanese dancer Takashi Ueno offers a new, minimalist interpretation of the crowning moment of the 19th century virtuoso classical ballet—the pas de deux. Drawing from the art form’s array of gestures, the work explores duality in mirrored movements rooted in the backgrounds and cultures of both dancers. Moving together in isolation, they subtly reveal their worlds.

Co-presented with the French Institute Alliance Française (FIAF)’s Crossing the Line 2012.

ANDY WARHOL – O DOLAR MAIS CARO 2015

a nota dolar mais cara de sempre-Andy WarholO quadro “One Dollar Bill (Silver Certificate)” [Nota de Um Dólar (Certificado de Prata)], pintado por Andy Warhol em 1962, foi arrematado por 29,4 milhões de euros, o valor de venda mais alto de sempre de uma obra contemporânea num leilão em Londres.

A obra, uma reprodução de uma nota de dólar norte-americano, destaca-se por ser a única pintada à mão pelo artista conhecido pelos seus trabalhos de Pop Art e tinha uma estimativa de entre 18,4 milhões e 25,4 milhões de euros.