GINA PANE

gina-pane-Gina Pane foi pintora, escultora, fez instalações vídeo e performance. No entanto o trabalho que ressalta são as suas fotografias documentais de performances cuidadosamente encenadas de auto-flagelação.

Pane nasceu em 1939 em Biarritz e morreu em 1990 em Paris. Cresceu em Itália mas voltou para Paris para estudar na Escola de Belas Artes, de 1961 a 1966. Participou noAtelier d’Art Sacré de Maurice Denis. Em 1978 criou um estúdio de performance no Centre Georges Pompidou. Começou por fazer pinturas geométricas antes de iniciar o trabalho na escultura e instalação. As suas primeiras pinturas mostravam já uma preocupação com o que viria a ser o seu tema de trabalho: o corpo.

Primeira representante em França da arte corporal, Pane demarca-se dos termos happening e performance para evitar qualquer conotação teatral. Ela elabora as suas “acções” (nome que ela prefere) através de storyboards extremamente rigorosos e pormenorizados. Começava em folhas de papel leves e de pequeno formato, acrescentando fol

What was really effective in these artworks is the rituality of each act; performances assumed the form of theaters where artists played a sort of a sacrificial comedy focused on their own body. As mentioned above, Gina Pane (1939 – 1990), a French artist of an Italian origin, was one of the main representatives of what is widely recognised as Body Art, the artistic trend characterised by the practise of self-mutilation and sadomasochism. Working with/on her own flesh and blood as an artistic media, Pane laid bare the human body’s fragilities; undressing, hitting, hurting, dirtying her own body, she was able to show the sense of danger and pain.

Gina Pane, with a distinctive composure and a rational attitude, used the sufferance as a way of representing spirituality, carrying a deep emotional and symbolic charge. In Sentimental action (1973), the proto feminist artist, dressed totally in white, takes a bunch of roses in her hand and hurts herself with their spines. The blood dripping on the bouquet turns the roses from white to red. At that point, the artist cuts herself with a razor blade.

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MARINA ABRAMOVIC

MARINA ABRAMOVICNatural de Belgrado, Jugoslávia, Marina Abramović, desde o início da sua carreira nos anos 70, quando estudou na Academia de Belas Artes, que tem sido a pioneira no uso da performance como forma de arte visual. O corpo sempre foi o seu tema e meio. Explora os seus limites físicos e mentais, ela suportou a dor, a exaustão e o perigo, na busca da transformação emocional e espiritual, com performances, som, fotografia, vídeo, escultura. O seu trabalho figura em numerosas coleções públicas e privadas, além de contar com participações nas mais importantes mostras de arte internacionais.

Marina Abramović. A morte à maneira dela. Já caminhou pela Muralha da China para se despedir de um grande amor, e passou mais de 700 horas sentada numa cadeira a olhar para estranhos. A última obra de Marina Abramović foi preparar a sua própria morte.

Poucas serão as pessoas que podem, no final da sua vida, gritar alto e bom som “I did it my way” como Marina Abramović. De tal forma está ciente da liberdade que sempre pautou a sua vida, que será essa a banda sonora do seu funeral. Sim, porque a artista plástica de 68 anos já definiu qual será o seu derradeiro trabalho, e será a encenação da sua morte.

Marina quer três corpos – o seu e dois falsos – sepultados nas cidades onde viveu mais tempo: Belgrado, Amsterdão e Nova Iorque. “Ninguém saberá onde está o verdadeiro.” Mais, todos os presentes no último adeus à artista devem vestir roupa colorida – ao contrário do que Marina fez toda a vida – e caberá ao cantor Antony Hegarty, líder dos Antony and the Johnsons, cantar o tema imortalizado por Frank Sinatra “I did it my way”.

O guião para o seu funeral começou a ser delineado após a morte da escritora e amiga Susan Sontag, em 2004. “Foi o funeral mais triste a que alguma vez fui e ela era um dos mais incríveis seres humanos que alguma vez conheci. A Susan era cheia de vida, curiosa e uma escritora maravilhosa.” Foram mais de dez anos a pensar neste assunto para, no mês passado, anunciar as suas intenções durante a sua residência artística no Kaldor Public Art Project, em Sydney. “Um artista deve morrer em consciência e sem medo e o funeral é a sua última peça antes de partir”, disse. Como herança, a artista também já sabe o que deixará: o Marina Abramović Institute, em Nova Iorque, que incluirá no seu espólio um banco de sangue com amostras de 250 dos mais inspiradores artistas, cientistas e pensadores do mundo.

UM AMOR DE DÉCADAS
Em 1988, Marina e o companheiro com quem partilhava a vida há já 12 anos, Ulay, resolveram terminar a relação. Mas fizeram-no como artistas, na performance a que deram o nome “The Lovers”. Cada um numa ponta da Grande Muralha da China, caminharam até se encontrarem, a meio. Nessa altura selaram a separação com um último abraço e partiram em sentidos opostos. “Aquela caminhada tornou-se um drama pessoal. Cada um de nós andou 2500 quilómetros, encontrámo-nos a meio e despedimo-nos. Precisávamos desse encerramento.”

Durante os anos que se seguiram não se viram. Até 2010. Nesse ano Marina apresentou a sua primeira grande retrospectiva em território norte-americano, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, na qual se incluía uma performance intitulada “The Artist is Present”. Durante 716 horas, Marina esteve sentada numa cadeira, com uma mesa e outra cadeira à sua frente. Ao longo de três meses, a mostra foi vista por mais de 750 mil pessoas e mais de mil estranhos sentaram-se por instantes em silêncio na cadeira em frente a Marina.

Um deles, porém, não era um estranho, mas sim Ulay. Quando os dois amantes-artistas se reencontraram ali, rodeados por outras pessoas que os observaram, foi como se nada mais existisse. As lágrimas correram pelo rosto de Marina, que se debruçou sobre a mesa para agarrar as mãos de Ulay, apenas para, pouco depois, as soltar e voltar ao seu lugar. Sim, realmente Marina fez sempre tudo à sua maneira.

EM CASA ANTES DAS 10H
Natural da Sérvia, Marina cresceu com uma educação “militar”, sobretudo após o pai ter saído de casa. “Não me foi permitido sair de casa depois das 10h da noite até chegar aos 29 anos. Todas as performances que fiz na Jugoslávia aconteceram antes das 10h por causa disso. É de loucos. Já me cortava, chicoteava, queimava-me…

Mas sempre antes das 10h.” Talvez estes limites tenham de alguma forma definido a vontade de Marina de testar os limites. Formada pela Academia de Belas-Artes Belgrado, Marina esteve sempre na primeira linha dos estudos acerca da relação entre artista e público, performer e plateia, corpo e mente.

Logo num dos seus primeiros trabalhos, numa exposição em Belgrado, corria o ano de 1974, exibiu 72 objectos e desafiou todos os visitantes a que os explorassem à vontade.Entre os objectos encontravam-se rosas, azeite, uma écharpe de penas… Mas também uma pistola com balas. Marina esteve na galeria durante seis horas. “Estava preparada para morrer, mas tive sorte.”

A “avó da arte performativa”, como é apelidada, fez das artes a sua batalha. É a própria, aliás, que se intitula de “guerreira da arte”. Por um lado, diz, é uma mulher “frágil que gosta de comer gelados”. Por outro, é a mulher que, quando chega o trabalho – e o seu foi sempre a arte – “passa a ser uma questão de vida ou de morte”. E a morte, essa, será à maneira de Marina. Como a vida, de resto.

Raquel Carrilho

ANDY WARHOL – O DOLAR MAIS CARO 2015

a nota dolar mais cara de sempre-Andy WarholO quadro “One Dollar Bill (Silver Certificate)” [Nota de Um Dólar (Certificado de Prata)], pintado por Andy Warhol em 1962, foi arrematado por 29,4 milhões de euros, o valor de venda mais alto de sempre de uma obra contemporânea num leilão em Londres.

A obra, uma reprodução de uma nota de dólar norte-americano, destaca-se por ser a única pintada à mão pelo artista conhecido pelos seus trabalhos de Pop Art e tinha uma estimativa de entre 18,4 milhões e 25,4 milhões de euros.

JOÃO PAULO FELICIANO + LEE RANALDO

1 joaoJoão Paulo Feliciano Blues Quartet Exposição Temporária, 2008. Esta pode ser a gravada num iPod, ao qual o visitante tem acesso e possibilidade de seleccionar de entre variadíssimos géneros a que deseja ouvir ou então a dos concertos ao vivo, com Rafael Toral, Lee Ranaldo, Trevor Tremaine e C. Spencer Yeah, como aconteceu no Contemporary Arts Center de Cincinatti.Desde as primeiras obras de João Paulo Feliciano, está organizado em torno da escultura Blues Quartet, 2004–2007 e explora a fusão entre música e imagem. Como é o caso de Sweet Music, 1992, que o respectivo título enquanto enunciado linguístico retirado de expressões da cultura popular, muitas vezes associado a contextos musicais, encontra uma literalização plena e irónica nos elementos que compõem a imagem.

Tal ocorre também em Blues Quartet. Para João Paulo Feliciano esta escultura tornou-se um elo de relação intrínseco entre o seu trabalho como músico e artista.

O artista plástico português João Paulo Feliciano e o guitarrista norte-americano Lee Ranaldo, ex-Sonic Youth, terão exposições individuais a inaugurar no mesmo espaço, no sábado, na Galeria Pedro Oliveira, no Porto, foi hoje anunciado.

João Paulo Feliciano e Lee Ranaldo conhecem-se há vários anos, já expuseram juntos em 2007, nos Estados Unidos, voltando a partilhar uma mesma galeria, com exposições diferentes, e é certo que este ainda editarão um álbum “semi-acústico”, gravado nos últimos dias em Barcelona.

João Paulo Feliciano, antigo membro dos Tina and the Top Ten, fundador do Real Combo Lisbonense, colecionador de instrumentos, produtor, editor e artista plástico, mostrará “The Amps”, colagem de fotografias e recortes que reproduzem imagens de amplificadores que têm no atelier/estúdio de Lisboa.

“Existem quase 20 aPaulo-Feliciano_largemplificadores aqui no estúdio, de todos os géneros, muitos vintage, algo exóticos ou requintados, a grande maioria comprada em segunda mão”, descreve o músico na apresentação da exposição, sublinhando que “cada amplificador tem a sua personalidade”.

Estas colagens, entre outras, são o prolongamento da sua união inseparável música+arte, que existe sem pausas e que aqui tem como inspiração os 16 dos 20 amplificadores – “de todos os géneros, muitos vintage, algo exóticos ou requintados” – que tem em estúdio; além dos “amps” é incluído nesta exposição “Um Par de Paris.es”, uma peça feita de dois orgãos elétricos iguais, dos finais de 1960, da marca Paris.e.

João Paulo Feliciano, artista multifacetado, fez uma revisão do percurso artístico em 2006 na Culturgest, em Lisboa, com “Possibility of everything”, seleção de trabalhos feitos entre 1989 e 1994.

“Lost Highways”, de Lee Ranaldo, baseia-se em desenhos – tinta-da-china, aguarela e lápis sobre papel – de paisagens feitos no verão passado durante a digressão europeia, que incluiu Portugal, com o álbum “Between the times and the tides”.

Esta série de desenhos rápidos, feitos em viagem, muitas vezes pela janela do carro, é o continuar de um interesse de Lee Ranaldo que já vem dos anos 1970, quando ainda era estudante, explica na nota de intenções desta exposição no Porto.

Habituado ao movimento constante e fazer da estrada um modo de vida Lee Ranaldo tem no esboço rápido, no reter imediato de uma imagem, um gesto de valor.

Lee Ranaldo atuou na semana passada no Porto, numa antecipação do festival Paredes de Coura.

Apesar de ser conhecido sobretudo como co-fundador dos Sonic Youth, banda que entrou num indefinido hiato depois da separação de Kim Gordon (vocalista) e de Thurston Moore (guitarrista), tem uma sólida carreira a solo, desde meados dos anos 1980.

“The Amps” e “Lost Highways” estarão patentes no Porto até 8 de junho.

ALFRED STIEGLITZ

4592-large_290x290Georgia O’Keeffe, photography by Alfred Stieglitz, 1933

Nascido em Hoboken, Nova Jersey, em 1864, e educado como engenheiro na Alemanha, Alfred Stieglitz voltou a Nova York, em 1890, determinado a provar que a fotografia era um meio tão capaz de expressão artística como a pintura ou a escultura.

Alfred Stieglitz (1864-1946) foi um pioneiro da fotografia moderna. Um fotógrafo, editor, escritor e dono da galeria, desempenhou um papel-chave na promoção e exploração da fotografia como forma de arte. E também ajudou a introduzir a arte moderna para o público americano. Em 1916, Stieglitz vi pela primeira vez a obra de Georgia O’Keeffe (1887-1986) e ficou impressionado com o poder expressivo dos seus grandes desenhos abstratos.

No ano seguinte, organizou a primeira exposição individual na sua galeria 291, em Nova York. Ele também começou a fotografar O’Keeffe, colocando-a na frente do seu trabalho e encontrando maneiras de fundir o seu corpo com as composições. Este foi o início de uma colaboração extraordinária que durou mais de 20 anos e resultou em mais de 300 fotografias. Diálogo artístico Stieglitz e O’Keeffe estendido a uma profunda influência no trabalho de cada um. Tornaram-se amantes e casaram em 1924.

JOANA VASCONCELOS

ng2379030A artista, responsável pela representação portuguesa em 2013, vai transformar um cacilheiro e pô-lo a navegar na lagoa da cidade italiana.

O cacilheiro Trafaria Praia vai ser transformado em “obra de total” pela artista Joana Vasconcelos e representar Portugal na Bienal Internacional de Artes Plásticas de Veneza.

Atracado nos estaleiros da Navaltagus, no Seixal, o cacilheiro está a ser recuperado. Segue-se a intervenção artística. O exterior será revestido com azulejos, azuis e brancos, pintados à mão pela fábrica Viúva Lamego. O painel, inspirado no painel de Gabriel del Barco (século XVII), terá uma representação contemporânea de Lisboa, da Torre do Bugio à Torre Vasco Gama.

DINHEIRO ESCONDIDO NA GALERIA MILTON KEYNES

MKGUm cheque no valor de 8 mil libras está escondido na galeria Milton Keynes, em Buckinghamshire, Inglaterra. O que poderia ser encarado como um performance artística é, na verdade, um ato de desespero do artista britânico Tomas Georgeson para aumentar o número de visitantes na sua galeria.

O artista escondeu o cheque no dia (28) de manhã sem que os responsáveis pela instituição soubessem de algum coisa. Ele chegou a colocar um anúncio no jornal da cidade: “Um cheque foi escondido na galeria. Se não for encontrado até dia 1 de março, será retirado”.

Georgeson declarou ao jornal britânico The Telegraph que assinou o cheque como um discurso de apoio a sua galeria e que gostaria de “mudar o ânimo do local”. A iniciativa pode ter um impacto directo na vida financeira do artista. Afirmou que as 8 mil libras são praticamente todas as suas economias: “Se alguém encontrar o cheque e foi descontá-lo, estou preparado para viver com menos dinheiro se isso acontecer”, disse ao jornal.

A assessora de imprensa da galeria, Katharine Sorensen, só ficou sabendo do acontecimento quando recebeu uma ligação de um repórter. Ela disse que após telefonema procurou, com a ajuda de outros funcionários, pelo papel escondido mas nada achou. Katharine ainda disse que o cheque não foi visto no espaço expositivo e que não sabe dizer que a notícia é falsa ou não já que o valor ainda não foi encontrado.

FRANCIS BACON

++afrancisFrancis Bacon é uma figura de destaque da arte do século 20. As suas pinturas são corajosos, polémicas e inesquecíveis. Com Bacon a beleza dolorosa põe a nu as lutas da condição humana.

Surveying Francis Bacon life and work, é a primeira grande exposição de obras raras na Austrália do mestre da arte do pós-guerra britânico. Com mais de 50 pinturas – incluindo alguns dos seus trípticos bem conhecidos – a exposição abrange cinco décadas da sua carreira, a partir das obras pensativas e chocantes dos anos 1940, às grandes pinturas exuberantemente coloridas e viscerais dos anos 1970 e 80.

As obras foram elaboradas a partir de 37 coleções incluindo da Tate de Londres, Metropolitan Museum of Art e do o Museu de Arte Moderna de Nova York.

“Truth can never be reached by just listening to the voice of an authority.” Francis Bacon

“But when I searched, I found no work so meritorious as the discovery and development of the arts and inventions that tend to civilise the life of man.” Francis Bacon

“That extra-ordinary genius, when it was impossible to write a history of what was known, wrote one of what it was necessary to learn.” Bacon

ANTHONY HEYWOOD NO PORTO

estasapatos_feitos de sapatos3518532093055773138Escultura “Take a walk by Anthony Heywood” está no Porto de
18 a 31 de janeiro na Praça D. João I.

Take a Walk explora a inércia do dia-a-dia em contraponto com a mobilidade sustentada e tem como desiderato convidar as pessoas a explorar a pé o centro da cidade.

O resultado é uma instalação de grandes dimensões na forma de um par de botas composto essencialmente de botas usadas doadas por pessoas de todo o país para este efeito a escultura é feita primordialmente de botas velhas doadas por pessoas de todo o pais e botas com defeito de produção.

A escultura é composta por duas peças, 2 botas gigantes feitas a partir de botas velhas com 1.6m largura – 4.8m comprimento – 2.8m altura cada.Heywood inspira-se na história da arte e na cultura contemporânea, bem como na atualidade política. Trabalhando materiais pobres, produtos da cultura de massas, faz nascer peças com sentido subvertido.

Take a Walk é um projeto de Intervenção Artística Urbana, de Anthony Heywood que é um reputado artista plástico inglês autor de algumas emblemáticas esculturas. Anthony Heywood inspira-se na história da arte e na cultura contemporânea bem como na atualidade politica. Trabalhando materiais “pobres”, produtos da cultura de massas, transforma-lhes o sentido, subvertendo desta forma os valores e cânones da arte ao mesmo tempo que questiona o sistema de classificações jogando com as funções dos objetos trabalhados.

Anthony Heywood, nasceu em 1952 em Hartlepool, Inglaterra, frequentou a Hartlepool College of Art, o Newcastle Polytechnic e a University Christ Church Canterbury. Colabora desde 1989 com a University for the Creativy Arts em Canterbury.

DEATH: A SELF- PORTRAIT

00morteShows That Matter: “Death: A Self-Portrait” at the Wellcome Collection.

“Não é preciso muito para me lembrar / que eu sou um mayfly / uma bolha de sabão flutuando sobre a festa das crianças”, escreveu o poeta laureado Billy Collins em “Memento Mori”, o nome que vem resistindo em latim axioma para “lembre-se que você vai morrer” Actualmente, a Wellcome Collection, em Londres, está adotando essas lembranças do nosso fim inevitável carnal em “Morte: um auto-retrato”.

A cultura da morte está em toda parte, numa ampla variedade de tradições. No entanto, é raro um museu concentrar-se tão intimamente sobre este assunto macabro e inquietante. A Coleção Wellcome, inaugurada em 2007 pelo Wellcome Trust como um “destino para os curiosos incuráveis”, é um museu que abraça o esquecido. Originário da coleção pessoal de Richard Harris, Chicago, a impressão antiga “Morte” tem muitos crânios um cemitério no meio dos seus 300 e tantos artefactos e obras de arte contemporânea.

Alguns são esculpidos em madeira ou moldados a partir de metal, como o bronze Kiki Smith modelado a partir da sua própria cabeça, enquanto outros estão gravadas ou pintadas, como a do século 17 de Adriaen van Utrecht “Vanitas: Still life with a bouquet and skull” em que vago socket e uma pobre alma de crânio sobre um livro fechado entre uma ampulheta um relógio de bolso, flores murchas, e outros presságios de morte. Um lustre de 3.000 ossos de gesso feitos pela jovem artista britânico Jodie Carey aparece sobre o espaço, enquanto uma fotografia de 1900 mostra um grupo de estudantes de medicina com o seu cadáver dissecado e um quadro-negro por trás deles rabiscado com as palavras: “Quando nos encontramos novamente”?.

A exposição está estruturada para levar os espectadores num confronto com a mortalidade, com arte num meio tanto para a negação e aceitação, como para o luto e o desejo mórbido. Gravuras de Francisco de Goya do início de 1800 mostram a brutalidade da guerra, e Albrecht Dürer convoca os cavaleiros do apocalipse numa xilogravura do século 15. Em contraste, a morte é uma criatura sensual na gravura de Hans Sebald Beham de 1543, um esqueleto envolto na Árvore do Conhecimento ao lado de Adam, olhando para uma véspera voluptuosa. Num cartão postal do início do século 20, um jovem casal num beijos de despedida os seus rostos tornando-se nas características de um crânio. Estamos constantemente envolvido com uma dança macabra, e “Morte: um auto-retrato”, reflecte esse destino pessoal e universal.

HOTEL CASANUS OU COLON HOTEL

human-intestine-hotelHuman Intestine Hotel. “Hotel CasAnus, ou o Colon Hotel, é projetado para assemelhar-se ao cólon humano. O edifício segue os contornos do sistema digestivo da boca através do estômago, intestino e termina no ânus. Embora anatomicamente correto, a última parte foi aumentada para o tamanho monstruoso para acomodar uma cama e banho … CasAnus é dos colecionadores de arte belga, Geert e Carla Verbeke-Lens, que compraram a obra-prima anatómica para adicionar ao parque de esculturas de 30 hectares Verbeke Foundation. Tornou-se um dos destinos peculiares de arte na Europa. Mais de 20.000 turistas visitam a Fundação Verbeke cada ano, e muitos optam por passar a noite dentro do hotel cólon.

ROSEMARIE TROCKEL

31102012185426A exposição Flagrante Deleite oferece uma perspetiva sobre o trabalho multifacetado de Rosemarie Trockel (Schwerte, Alemanha, 1952), artista de referência na cena artística internacional dos últimos trinta anos. Tomando como leitmotif uma extensa série de colagens realizadas desde 2004, a exposição inclui também esculturas muito diversas, objetos de cerâmica e oMARIEbras de parede feitas com lã.

Rosemarie Trockel propôs no início da década de 1980 uma alternativa ao formalismo rígido e à pintura expressiva então dominantes. Hoje, décadas mais tarde, os princípios fundamentais que orientam o seu trabalho continuam a envolver uma grande liberdade, a transposição dos limites do academismo, associações convencionais e conhecimento da linguagem, bem como formas e símbolos da vanguarda.

O denominador comum às suas obras é a intensidade do conteúdo, que incorpora uma rede de associações e discursos igualmente alargada, que vai das premissas do debate filosófico, teológico e científico ocidental até diversos modelos comportamentais ou a manifestações canónicas da arte.

Todo o seu trabalho é formulado a partir de uma perspetiva precisa, poética e explicitamente feminina; uma perspetiva que se estende para além do gesto feminista.

O título da exposição faz referência à dualidade ou multiplicidade do seu trabalho: expressivo, brincalhão, divertido, sombrio, obscuro e sempre sensual.

“Flagrante Deleite” começa com a obra “Spiral Betty”, constituída por um tubo iluminado que acaba, no topo, por se juntar a duas espirais alusivas ao órgão sexual feminino. O universo masculino e o universo feminino são, assim, entrelaçados, dissolvendo-se as distinções claras entre um e outro. E o mesmo acontece noutras peças ao longo da exposição – distribuída por quatro salas.

Logo na primeira sala são visíveis duas peças constituídas por uma placa de uma só cor, na qual estão inseridas placas de fogão ligadas à electricidade, remetendo para a oposição entre o feminino-quente (representado pelas placas) e o masculino-frio, associado ao estilo minimalista desta peça, como explicou à Time Out Miguel Wandschneider, curador de arte contemporânea da Culturgest.

O caso mais explícito desta dicotomia entre homem e mulher está em “Gossip”, colagem na qual Rosemarie Trockel junta o rosto do artista norte-americano Raymond Pettibon à mulher representada na conhecida obra “A Origem do Mundo” (1866), de Courbet. Todas estas referências ao esbatimento da fronteira entre homem e mulher têm por base um feminismo próprio da autora, que se caracteriza por ser, também ele, pouco convencional. Segundo Miguel Wandschneider, “não é um feminismo dogmático de quem tem uma visão dicotómica e maniqueísta dos géneros sexuais, é um feminismo muito inteligente.”

Ao longo da exposição, são também incorporadas outras dimensões. Espelhos limpos e espelhos foscos, juntamente com colagens que parecem persianas, fazem a contradição entre aquilo que nos facilita e dificulta o olhar. Também a permanência, no mesmo lugar, de peças monocromáticas e lisas e de peças com padrões e relevos, remete para uma contradição de estilos e formas.

A exposição Rosemarie Trockel – Flagrante Deleite é uma colaboração entre o WIELS Contemporary Art Centre, em Bruxelas, a Culturgest e o Museion, em Bolzano.