PATTERSON HOOD

A primeira regra ao fazer um álbum solo é que não haja ponto de incomodar ou aborrecer a menos  que  esteja tentando fazer algo que  não se possa fazer dentro do contexto da sua banda, e Patterson  entende claramente isso. O tenor da voz lírica Hood é forte o suficiente para que não exista uma ligação clara entre a sua música  os Drive-By Truckers e o seu material a solo, mas os seus dois primeiros álbuns, Killers and Stars de 2004, e Murdering Oscar (And Other Love Songs), 2009, encontra ele  a explorar temas que lhe são peculiares, e íntimos, para caber confortavelmente dentro do som musculado dos DBTS.

Patterson Hood é um aspirante a romancista, destinado a se tornar um próximo dia William Faulkner. Bem, talvez no seu dia de trabalho muitas vezes fique no caminho com isso. Como vocalista The Drive-By Truckers, Hood ganha a vida escrevendo histórias curtas definidas para melodia (ou seja, canções), que não o tem impedido de escrever o  grande romance americano, um conto um pouco autobiográfico de um músico cuja vida estava uma bagunça há um par de décadas atrás, mas está endireitando tudo.

O plano,  confessa, foi para intercalar as letras das músicas entre os capítulos, ligando o seu “dia de trabalho” com a sua “noite” de trabalho. Mas terminar esse livro provou ser mais difícil do que iniciá-lo, enquanto derramava e mantinha as musicas. Desta maneira, o livro  foi arquivado por agora, mas um novo álbum a solo, o seu terceiro, brota a partir deste projecto.

Heat Lightning Rumbles In The Distance, acompanha com música o que a novela se propôs a fazer, aproveitando as experiências pessoais para esboçar uma narrativa em primeira pessoa de um personagem que perde do ponto de vista do mesmo caráter que é mais velho, mais sábio e mais maduro. Isso em si não é uma história muito interessante, mas Hood tem uma capacidade de comando para atraí-lo  para com os pequenos detalhes, com a qual ele constrói pacientemente uma montagem viva.

Como os momentos mais silenciosos, mais sérios de Tom Petty’ Wildflowers, Hood coloca minimais melodias, e instrumentação entre ele e o seu público, puxando elementos modestos de rock, country e folk que são empregados não como um fim, mas como um meio para entregar as suas histórias.

Essas histórias se alternam entre o passado duvidoso, cheio de relações danificadas e psiques danificadas (“12:01”, “Disappear”, “Better Than The Truth”) e do presente estável (“Leaving Time,” “Fifteen Days”).Quando você ouve uma canção intitulada “Betty Ford”  sabe que ele não está cantando sobre a ex-primeira dama, mas sobre  a relutância de mandar um ente querido para a reabilitação.

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THE LOW ANTHEM

The Low Anthem Oh My God, Charlie Darwin, 2009.The Low Anthem cobre todas as bases de Americana com Oh My God, Charlie Darwin, um álbum que alterna entre o velho-timey country, secular gospel, e folk harmonizado. Poucas bandas lidam com essas vastas faixas de música com graça, e ainda conseguem ficar longe da sépia pastiche no processo.

Charlie Darwin é um pouco a excepção, um híbrido de tradições antigas e contemporâneas, étereo, que floresce e soa a terra. Liderados pelo vocalista Ben Knox Miller, a banda ressuscita géneros antigos, folk antropólogos, utilizando instrumentos acústicos (bem como algumas adições mais esotéricas, incluindo um órgão bomba remodelado a partir da Primeira Guerra Mundial)bem como  instrumentos de escolha.